DEAR WHITE PEOPLE E O QUE EU TENHO A DIZER | Se Eu Fosse Arabella

quarta-feira, maio 03, 2017


Penso que nunca escrevi um post para o blog com o assunto que vos trago hoje e, honestamente, não falaria nisto se não fosse por Dear White People. Comecei a ver a série no feriado e os dois primeiros episódios levaram me, inconscientemente, a fazer me algumas perguntas pertinentes que eu julguei serem necessárias debater.

Infelizmente, não o pode fazer no meu dia à dia, numa conversa normal com os meus amigos porque sempre que negros foram o tema de alguma conversa em que eu participei (mais recentemente) fui, em todas as situações, acusada de ficar ofendida e não ter o direito de o ficar, como se me tratasse de uma drama queen que estava a criar uma tempestade num copo de água. E, mais uma vez, sendo totalmente honesta, não há nada que me magoe mais ou que me faça sentir mais oprimida do que ter outras pessoas que não fazem a menor ideia do que significa ser negro na nossa sociedade dizerem me como é que me devo sentir quando alguém fala de pessoas de cor. Deixem me dar vos uma dia: se vocês querem comentar os estereótipos ligados a pessoas negras (nem que seja para comentarem que popularmente se acredita que os genitais dos homens negros são maiores) eu vou decidir como me sinto em relação aos vossos comentários. Eu, uma pessoa negra que em toda a sua vida foi vitima de racismo, que foi posta de lado e injuriada apenas com base na cor da sua pele.
Para ti, que achavas que este post era um artigo de opinião sobre a nova série da netflix, as minhas mais sinceras desculpas. É apenas um desabafo como eu me sinto com a minha negritude numa sociedade maioritariamente branca e como essa sociedade maioritariamente branca se sente em relação à minha negritude. Dear White People só foi importante para eu perceber o quanto eu precisava de falar nisto, mesmo que ninguém me venha a ouvir. Mesmo que mais uma vez seja acusada de ser uma drama queen. Este é um ponto de virada na minha vida, porque estou pronta para prometer a mim mesma que nunca mais me vou calar ou deixar de discutir algo que me incomoda simplesmente porque as pessoas julgam que eu não tenho esse direito, tomando como justificação a cor da minha pele.
Uma novidade para vocês: eu posso ficar ofendida quando fazem piadas ou quando comentam algo, sem maldade nenhuma, sobre pessoas negras, porque em várias situações fui colocada de parte por ser negra. No supermercado já vi pais afastarem os seus bebés de mim por lhes ter sorrido, qual é o mal de sorrir? Na rua já vi pessoas à atravessarem a mesma para não passarem ao meu lado, qual é o mal de andar na via pública? Qual é o mal de ser negra? O quê qtue te dá o direito de me julgares com base na cor da minha pele? A mesma cor que faz com que eu seja parente de qualquer outro negro que conheço. Já fui confundida como irmão, prima, sobrinha, neta e sei lá mais o quê de outras pessoas que eu nem conhecia, porque nós, negros, somos todos iguais.

E não penses que usar as palavrinhas mágicas "não leves a mal" ou "não fiques ofendida" antes de dizeres algo vão mudar alguma coisa, porque não. Certamente as pessoas que já me chamaram de preta com uma cotação negativa também não queriam que eu levasse a mal, só queriam que eu voltasse para o meu país. Uma vez que sou negra, é impossível que o meu país seja Portugal.

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1 comentários

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